Quem deve fazer palhaçada é somente o palhaço, senhor Bozo!

Comediantes já interpretaram presidentes em campanhas publicitárias, programas de TV e até comícios contra os próprios lideres — mas nunca haviam feito uso da máquina estatal.

Jair Bolsonaro e o humorista Márvio Lúcio, o Carioca, em café da manhã / Créditos: Divulgação / RecordTV

No início de março, o presidente Jair Bolsonaro irritou jornalistas após ir a uma rotineira coletiva de imprensa matinal acompanhado do humorista Márvio Lúcio, o Carioca, que estava caracterizado como Bolsonabo, uma sátira do presidente. Oferecendo bananas para a imprensa, o humorista tomou o lugar de fala do político e brincou sobre os recentes dados do PIB. 

Quando faz uso de seu espaço como governante para satirizar, justamente, situações cotidianas do país, o presidente não apenas desrespeitou a imprensa, como também desrespeitou seus eleitores, que o elegeram justamente para exercer sua voz nos comandos da nação. O humorista, por sua vez, somente pôde aproveitar o espaço dado para alavancar o personagem. 

Obviamente, o presidente não aceitaria o mesmo com outros humoristas; Carioca teve sua aprovação escolhido a dedo. Membro fixo do programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, entre os anos de 1999 e 2018, o humorista era uma figurinha carimbada nas discussões políticas acaloradas da atração, sempre inclinado a opiniões neoliberais de direita. Entrou em 2020 na Record, com a emissora tendo uma relação de confiança nunca antes vista com um líder do executivo brasileiro. 

Historicamente, o hábito de satirizar os governantes e sua postura com a imprensa existe muito antes da ideia de Bolsonaro. Grupos de humor de diversas emissoras e posições, contrárias e favoráveis ao governo, interpretaram os líderes nacionais. Porém, nenhum dos casos anteriores ao do início do mês havia sido promovido, justamente, pelo governante em exercício.


Confira cinco presidentes que foram personificados em nome do humor crítico: