Eduardo Jorge: devemos dar atenção aos ambientalistas

Tratado como 'assunto chato' por opositores, a defesa do patrimônio natural do país com a maior biodiversidade no mundo é uma necessidade imediata

Em sua carreira política, Eduardo soma duas disputas presidenciais - Crédito: Wikimedia Commons

por Nathalia Simões

Eduardo Jorge é médico sanitarista. Iniciou sua vida pública em 1960 no movimento estudantil. De lá para cá, ajudou a fundar o PT, mas saiu do partido, assim como Marina o fez. O político trabalhou depois em gestões do PSDB, principal adversário dos petistas, e ingressou no PV, partido pelo qual disputou as eleições presidenciais de 2014.
Jorge foi um dos fundadores do PT na década de 1980. Pelo partido, o médico sanitarista foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1986. Reeleito para outros três mandatos, ficou na Câmara até 2003. Enquanto parlamentar, ele foi líder do PT na Casa na época do impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992.
 Como deputado federal, licenciou-se do mandato duas vezes. A primeira foi em 1989, quando se afastou para assumir a Secretaria da Saúde da cidade de São Paulo no governo de Luiza Erundina (então do PT), cargo que ocupou até abril de 1990. A segunda foi em 2001, também para se encarregar do posto de secretário de Saúde da capital paulista, agora na gestão de Marta Suplicy (então do PT). Ele ocupou a vaga até dezembro de 2002.
Como secretário de Marta, Jorge foi um dos principais responsáveis pela regulamentação das leis do SUS (Sistema Único de Saúde) em São Paulo e por dobrar o número de médicos na cidade para o Saúde da Família, programa cujo objetivo é dar atenção básica à população por meio de médicos especialistas. Jorge foi dirigente do PT por 20 anos. Em 2002, ele resolveu deixar o partido por "ter perdido a confiança" nos outros líderes da sigla.
Em 2002, Jorge filiou-se ao PV. Três anos depois, em 2005, assumiu a Secretaria do Verde e Meio Ambiente na gestão de José Serra, do PSDB, na Prefeitura de São Paulo. O PSDB é o principal adversário do PT, antigo partido de Jorge. Ele ficou no cargo até 2012, com o fim da gestão de Gilberto Kassab (então do DEM), de quem o PV também foi aliado. Quando esteve no comando da pasta, Jorge criou o programa Carta da Terra e ampliou a área verde protegida de São Paulo de 15 milhões para 45 milhões de metros quadrados.
Durante a gestão no Meio Ambiente, Jorge foi alvo de denúncias envolvendo um esquema de pagamento de propinas em troca de emissão de licenças na prefeitura. Em depoimento ao Ministério Público, uma testemunha afirmou que ele teria recebido R$ 200 mil para facilitar a liberação de licença para a construção do Shopping Higienópolis, empreendimento estimado em R$ 200 milhões localizado em um dos bairros mais nobres de São Paulo.
Na época, Jorge era cotado para ser vice na chapa de Serra nas eleições municipais de 2012. O então secretário disse que, por isso, era vítima de calúnia e de “requintes de selvageria da batalha política”. Ele negou as acusações. O depoimento da testemunha motivou a abertura de um inquérito no Ministério Público que ainda está em andamento.  
Jorge foi candidato do PV nas eleições presidenciais de 2014. Naquele ano, terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 0,61% dos votos. No segundo turno, Jorge voltou a apoiar um político do PSDB. Desta vez, foi o senador mineiro Aécio Neves, que, na época, concorria à Presidência. O senador tucano acabou sendo derrotado pela então candidata do PT, Dilma Rousseff, em uma das disputas mais acirradas da história das eleições brasileiras.
A candidatura de Jorge nas eleições de 2014, durante o primeiro turno, se transformou em uma fonte de memes, piadas feitas na internet por meio de montagens de fotos com frases rápidas e alto poder de viralização digital.
Essas piadas geralmente eram feitas quando Jorge defendia nos debates bandeiras consideradas polêmicas pelos brasileiros, como descriminalização do aborto e a legalização da maconha.